“25 DE JULHO
DIA NACIONAL DO ESCRITOR

As palavras são descanso para o meu penar,
com elas sou o que quero aqui e lá:
o segredo que o violeiro cego cantou…
o candeeiro pelo qual o escuro se apaixonou…
o ardor e a beleza de todo escritor…
das letras e rimas sou eu encantador.

Eu sou a noite velando as estrelas antes do dia chegar.
Eu sou a lua que bate no vidro da tua janela, no primeiro andar.
Eu sou o assum preto, o bem-te-vi, o sabiá,
e sou, principalmente, a rasga-mortalha cortando o cosmos do agouro e do medo de se acabar.

Eu sou a relva, verde, forte, bonita.
Eu sou as cores, os laços e as estampas do meu vestido de chita.
Eu sou o sol, amarelo, cálido e brilhante.
Eu sou a terra florida e mansa sob as nuvens flutuantes.

Eu sou Francisco, Cristo, Maria e José,
Oxalá, Iemanjá, Oxóssi, Oxum e Oxumaré,
eu sou todas as religiões, andando de mãos dadas, pé com pé,
e posso ser até Deus… Se Deus quiser.

Eu sou a lâmina que acaba com o mal.
Eu sou a mulher que carrega no ventre o mais bonito astral.
Eu sou o côncavo e o convexo, o revólver e a bala,
a natureza, a beleza, o cacto e a dália.

Eu sou o tudo e o nada, alma minha,
pois dentro desse peito que ao meu ser convinha,
carrego o paradoxo de ser a totalidade e o esplendor,
porém, também, o oco e o inferior.

Eu sou o universo avassalador
e a ponta do meu lápis carrega alegria e calor,
eu sou ser singular, plural, ambíguo…
Sou feita de prosa, poesia e amor.”

 — (Thayane Thandra)



indubio:

The Floor Anuchit Sundarakiti, 500px.com


“Escrever nem uma coisa
Nem outra -
A fim de dizer todas -
Ou, pelo menos, nenhumas.

Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.”

 — (Manoel de Barros)



nordestebrasileiro:

Salvador, 1984. Foto por Miguel Rio Branco.


“Você consegue um bom emprego na hora que bem entender? Você descola um amor do dia para a noite? Se entrar num banco, sai de lá com um empréstimo sem burocracia? Se você respondeu sim para todas estas perguntas, parabéns. E fique atento para o horário de partida do seu disco voador, pois a qualquer momento você terá que voltar para o seu planeta. Entre nós, terrestres, o sim é uma resposta rara. Na maioria das vezes, não há vagas, não querem editar nossos poemas, não temos fiador, a garota não quer ouvir uns discos na sua casa, o garoto não quer usar camisinha e o guarda de trânsito não foi com sua cara e vai multá-lo, sim senhor. Não está fácil pra ninguém. Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma visão pessimista da vida. As coisas são assim, dão certo e dão errado. Pessimismo é acreditar que ouvir um não seja uma barreira para realizar nossos planos. Tem gente que fica paralisado diante de um não. Nunca mais vai à luta. Já o otimista resmunga um pouco e em seguida respira fundo e segue em frente. Quando eu tinha 17 anos, mandei uns versos para um concurso de poesia. Não ganhei nem menção honrosa. Daí entreguei meus versos para o Mário Quintana avaliar. Ele não respondeu. Neste meio tempo eu estava apaixonada por um cara que ignorava a minha existência. Quando eu não estava pensando nele, fazia planos de morar sozinha, mas o meu estágio não era remunerado. Aí quis viajar para a Europa, mas não consegui entrar num programa de intercâmbio. Surpreendentemente, não passou pela cabeça a ideia de me atirar embaixo de um caminhão. Hoje tenho nove livros publicados, sou casada com o homem que amo, tenho a profissão dos sonhos e viajo uma vez por ano, e tudo isso sem ganhar na mega sena, sem cirurgia plástica, sem pistolão ou pacto com o demônio. O segredo: cada não que eu recebi na vida entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Não os colecionei. Não foram sobrevalorizados. Esperei, sem pressa, a hora do sim. O não é tão freqüente que chega a ser banal. O não é inútil, serve só para fragilizar nossa auto-estima. Já o sim é transformador. O sim muda a sua vida. Sim, aceito casar com você. Sim, você foi selecionado. Sim, vamos patrocinar sua peça. Quando não há o que detenha você, as coisas começam a acontecer, sim.”

 — (Martha Medeiros)



positividadejahh:

 


“De todo o escrito só me agrada aquilo que uma pessoa escreveu com o seu sangue. Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito.”

 — (Friedrich Nietzsche)



brazilwonders:

Brasil, à luz da Lua, em uma imagem realizada pela NASA. (via E-Dublin)


“Inovar na escrita. Mudar o conceito. Alterar a arte. Separar o bom do bom senso. Mostrar que sem rima ainda podemos criar poesia. Dizer que a poesia não precisa protelar. Não tem prazo, nem atraso, nem momento, nem termômetro. Ela é por ser. A poesia, dizem por aí, nem sempre é o que o poeta quer conceber. Muitas vezes ela dança, escorre disforme, pelos locais mais apertados, uns incólumes, deixando que as ruas se encham de sons. Os poetas são uns ocos ao acharem que controlam mais que a própria bexiga. A verdade é que todo mundo tem um tique taque por dentro mostrando o ritmo para levar a vida. Uns exteriorizam. Uns internam. Os mais sensíveis, suam decassílabos. Escandir o poeta, invadir a poesia e, como em um rito, entoar altas rimas elevando o ser e sua busca pela expressão. Poetas são sempre pessoas.”

 — (A.E.C Souza)